sábado, 9 de abril de 2011

A terceira margem do rio

Sou um ser apaixonado. Duas de minhas paixões são caminhar e tirar fotos. Num primeiro momento duas atividades incompatíveis, mas a partir do momento em que você desiste de medir quilômetros em horas e prefere medir a caminhada em fotos tiradas, acaba não tendo a menor importância que para a caminhada que outros fazem em quatro horas você precisa de no mínimo seis. 

Mas, para que de fato a compatiblidade seja perfeita, você tem de ir caminhar sozinha o que tem a desvantagem de você não poder se aconselhar com ninguém outro que não o mapa, companhia indispensável para uma boa caminhada.

Assim aproveitei o dia magnífico de primavera e fui fazer minha primeira grande caminhada desse ano. Escolhi para tanto o Rio Lahn, um afluente do Rio Reno, ambos rios para mim mágicos e únicos.


Os primeiros 1,5 km foram entre a minha casa e a estação, onde me deparei com um fantástico pé de magnólia em flor, cuja foto publiquei ontem.


Com o trem fui então até Limburg an der Lahn, onde comecei a anotar a caminhada no GPS. 


Cerca de dois quilômetros da estação cheguei então ao Rio Lahn:


O Rio Lahn no bairro Staffel em Limburg
Escolhi a margen direita para a caminhada pois pela margem esquerda eu já havia caminhado no verão passado, inclusive tendo visitado o Palácio de Oranienstein, que ontem vi só de longe e de fundos:


O Palácio de Oranienstein visto dos fundos
Esse palácio é um dos quatro palácios-séde da Família Real Holandesa (os outros três são Oranienburg em Brandenburg perto de Berlim, Oranienbaum em Dessau no estado de Sachsen-Anhalt e o quarto, que já não mais existe, chamava-se Oranienhof e ficava em Bad Kreuznach,também em Rheinland-Pfalz, e assim a cidade mais próxima a esse Palácio de Oranienstein).


Hoje o Palácio abriga uma Unidade do Exército Alemão e no andar térreo está instalado um museu sobre a Casa Oranien-Nassau, que pode até nos interessar uma vez que também é a origem de nosso príncipe Maurício de Nassau, aquele da invasão holandesa. Quem quiser ver esse palácio de frente, basta clicar aqui, uma foto que tirei ano passado.  Ano passado visitei esse museu junto com um grupo de holandeses que avidamente compraram árvores genealogicas da família real holandesa. 


Oito quilômetros e 175 fotos mais tarde, passeando por uma magnífica paisagem de árvores em flor, jardins floridos e um rio serpenteando calmamente na natureza, cheguei à cidade de Diez.


Diez com o Castelo e a velha ponte sobre o Rio Lahn
No canto direito superior o castelo que hoje é um albergue da juventude. Por achar esse castelo muito velho e desconfortável - a parte mais antiga foi construída no século XI - a Princesa Albertine Agnes mandou construir o Palácio de Oranienstein no século XVII.

Depois de andar pela idílica cidadezinha de Diez fiquei a me perguntar o que deveria fazer: continuar andando para frente, pegar o trem de volta ou voltar andando.

Para pegar o trem de volta eu achei muito cedo: o relógio marcava 14:30 e isso significava que ainda teria bastante dia bonito pela frente, já que o GPS me informou que o sol iria se por às 20 horas.

Voltar tudo a pé também não me interessou muito, pois nesse trecho eu agora já conhecia as duas margens do rio, com o que me decidi ir para frente, sem saber que assim, como no conto de Guimarães Rosa, estava apenas começando a busca à terceria margem do rio.

Havia me proposto a ir então até à cidadezinha de Fachingen onde fica a próxima estação do trem. Consultando o mapa concluí que se fosse pelo lado esquerdo do rio, onde também fica a estação, seriam cerca de 3 quilômetros, mas não iria andar à margem do rio e provavelmente nem iria ver o rio, pois nesse trecho o caminho vai por dentro, em virtude da grande curva do rio.

Se, porém, fosse pela margem direita, iria o tempo inteiro andar à margem do rio, mas isso significaria uns dois quilômetros a mais, já que a ponte que atravessa o rio fica além da estação, ou seja, teria de voltar um trecho pelo outro lado do rio.

Optei pele trecho mais longo, mas mais bonito e lá me fui marchando feliz e contente ao logo do rio. Realmente a paisagem era magnífica e o rio ao lado transmitia uma calma e serenidade únicas:

Adorável passeio às margens do Rio Lahn
Depois de ser ultrapassada por inúmeras bicicletas, corredores e até uma moça de patins inline, vi ao longe a ponte e já me alegrei por logo chegar à estação, pois estava cansada.

Chegando mais perto da ponte fui supreendida por uma placa que me pareceu uma piada de extremo mau gosto: "Ponte fechada".

Devo confessar que não foi a primeira vez que me acontece algo semelhante e sempre me fica a pergunta, porque não colocar a advertência, por exemplo, na altura da última ponte passável?

De que me adianta saber que a ponte está fechada e assim indisponível para atravessar o rio somente quando já estou defronte a ela?

Eis aqui a malvada da ponte, que, pelo que pesquisei na Internet depois de chegar em casa, está fechada já há pelo menos dois anos e cogitava-se derrubá-la de vez, o que parece agora não mais vai ser o caso. A ponte deve ser restaurada até o começo de 2011 pelo que li numa notícia de meados de 2009. Como pode ser facilmente verificado, o começo de 2011 vai já firme no segundo trimeste e nem sinal de obras na ponte, apenas a placa: "Ponte Fechada".

A ponte fechada
Junto a essa placa também havia as placas com as distâncias aos pontos mais próximos e nem tão próximos. Assim, teria eu ainda mais de três quilômetros à minha frente para chegar até à próxima estação do trem, na cidadezinha de Balduinstein.

Nova consulta ao mapa mostrou que antes de chegar a Balduinstein, onde fato havia uma ponte que praticamente caía dentro da estação, havia uma ponte onde atravessa o trem. De fato, ao lá chegar, justo ia passando um trem de carga:

Trem de carga sobre o Rio Lahn Entre Fachingen e Balduinstein
Ao passar por essa ponte, alegrou-se-me o coração e os pés também já pensaram em alívio: não mais estaria longe a ponte e assim a estação.

Ao finalmente atravessar a ponte, senti-me literalmente sobre a terceira margem do rio:

Finalmente em cima de uma ponte!
Mais meia hora e o trem me levou de volta a Limburg e mais um outro trem de volta para casa, não sem antes porém ter de andar 1,5 km da estação até em casa.

Resumo: Num total de 21 quilômetros (18 à beira do rio e mais os 3 de ida e volta à estação) consegui tirar 364 fotos.

E para quem se interessa, aqui a rota de ontem à beira do rio:


Limburg nach Balduinstein auf einer größeren Karte anzeigen

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