Cansei-me do presente e resolvi que vou fazer parte dos modernos. Pelo menos eles tinham uma era definida que vai da Revolução Francesa até meados a final do século XX. A partir daí tudo se torna pós e provavelmente em alguns anos o livro de história de meus bisnetos vai ensinar que o dia 11.03.2011 marca o final da era atômica e o início da era pós-atômica.
Mas, pode também ser que inventem um outro nome qualquer para esses tempos correntes que, de fato, nada têm a ver comigo, o que não deixa de ser uma contradição em si mesma, uma vez que estou aqui muito atualizada na minha modernização, escrevendo um blog, assim como também tenho um fotolog e uma conta no livro de caras que até já filme chatésimo com direito a Oskar ganhou.
Minha última aquisição foi um eReader com o qual posso agora ler aquela infinidade de livros do século XIX que o Google digitalizou e disponibilizou de graça, já que os direitos autorais já estão mais do que caducos. E no Google posso então montar minha própria biblioteca virtual ou downloadar os livros em pdf ou EPUB (electronic publication).
Um grande negócio esse, uma vez que você de repente tem à sua disposição para imediata leitura livros que na era moderna você só conseguiria ler se fosse a uma biblioteca grande e como esses livros que me interessam são lá do século XIX, nenhuma biblioteca vai emprestá-los. Você vai ter de ler lá mesmo ou, na melhor das hipóteses, tirar xerox.
E agora eu posso fazer minhas pesquisas sem sair de casa, com a imensa facilidade de entrar palavras-chaves dentro da minha própria biblioteca e logo os livros se abrem na página onde se encontra tal palavra-chave. Cada coisa fantástica que tenho descoberto na leitura desses livros!
Com isso eu tenho de chegar à conclusão que tenho até muito a ver com esses tempos pós-Fukushima o que me lembra de um sucedido há três anos.
Fui passar uns dias fora com minha neta, que na época tinha sete anos de idade.
Estávamos nos dirigindo para a França quando na paisagem surge a usina nuclear de Catenom, nas margens do Rio Mosela, perto da fronteira com a Alemanha e Luxemburgo.
Vendo essa paisagem:
a menina diz: "Vó, que legal, eu sempre quis saber de onde vêm as nuvens e agora eu sei."
Pensei cá com meus botões: "Deixemos fucinho de porco ser tomada uma vez na vida. Em alguns anos ela vai descobrir de onde vêm de fato as nuvens."
Mas hoje fez um lindíssimo dia de primavera, com céu azul e calorzinho agradável, com o que me despeço de todos desejando igualmente um excelente dia de sol, céu azul e sem catástrofes pessoais ou coletivas.

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