domingo, 3 de abril de 2011

Domingo, dia de missa

Um hábito que cultivo já há muitos e muitos anos é ouvir todo domingo de manhã uma missa.


Não que eu seja religiosa, crente ou qualquer coisa assemelhada. A minha relação com o divino pode ser resumida nessa assertiva que me acompanha há quase vinte anos: "Se Deus existe, nada vai mudar pois, sendo ele soberano, sábio, justo e bom - como nos ensinam as escrituras sagradas - vai saber melhor do que eu o que está fazendo e assim estará tudo certo e continuará do jeitinho que está. Se, porém, Deus não existe, também nada muda, pois não existe essa entidade soberanamente sábia, justa e bondosa e assim o mundo vai continuar caminhando dentro da teoria do caos absoluto e eu vou junto, totalmente sem julgamento de valor."


Mas, entre o existir e o inexistir de Deus-Pai existe uma longa tradição humana e, querendo ou não, aceitando ou não, é justamente essa tradição da crença nesse Deus-Pai que moldou e até certo ponto ainda molda a nossa gloriosa civilização ocidental.


E, dentro dessa tradição existe a música e uma das partes mais lindas da música é justamente a música sacra e, assim, presenteio meus ouvidos todos os domingos com uma missa, ou até com mais de uma, já que o CD-Player tem lugar para três CDs e em cada CD cabem umas duas missas.


Pergunta-me o prezado leitor qual a minha missa predileta. De fato nem é uma missa, mas sim a Paixão segundo João de J.S. Bach. Posso ouvir essa Paixão em dois CDs repetidamente e ainda vou querer continuar ouvindo.


O interessante é que essa Paixão é bem menos conhecida do que a Paixão segundo Mateus, essa sim considerada a obra-prima de Bach. Porém, por mais que eu procure me convencer disso, não consigo achar que a Paixão segundo Mateus seja mais bonita do que a segundo João.


Dizem aqueles que sabem ler notas e entendem bem de composição e regência, que tecnicamente a Paixão segundo Mateus é mais elaborada e contém inovações e assim é superior à Paixão segundo João. Pode até ser, mas os meus ouvidos ainda são e ficam no tempo do "gosto X não gosto", já que dentro da minha concepção, a música em primeira linha é pura fruição, catarse que leva ao nirvana e não algo para ser compreendido, entendido, racionalizado, somado, subtraído, multiplicado, dividido e ainda com direito a raiz quadrada e cúbica.


Há alguns anos presenteei-me com um concerto da Paixão segundo João na Stiftskirche em Stuttgart:




Era um dia de agosto, calor senegalesco, a igreja lotada e para aumentar o calor mais ainda, foram ligados os refletores das câmeras de TV que gravaram o concerto ao vivo. O banco da igreja era tudo menos confortável. Aliás que acho que o objetivo desses bancos de igreja absolutamente desconfortáveis se presta apenas ao propósito de a pessoa não adormecer durante os sermões.


Mas, assim que começou o concerto, tudo isso desapareceu e a música, apenas a música reinou absoluta do começo ate o final. E, quando o concerto terminou ficou aquela sensação de "quero mais".


Aqui a abertura da Paixão segundo João com direito a um filminho. Interessante trabalho: 








A todos um excelente domingo. E que a paz de Deus, que supera todo e qualquer entendimento esteja conosco hoje e para sempre, Amém. 





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