segunda-feira, 11 de abril de 2011

Marcha da Solidariedade

Há uma duas semanas vi um cartaz sobre a Marcha da Solidariedade organizada pela Misereor, uma entidade de benemerência da Igreja Católica alemã, fundada em 1958 e com projetos nos países do terceiro mundo, inclusive com 13 projetos no Brasil em trabalho conjunto com a Pastoral da Terra.


Essa Marcha programada para o domingo, 10 de abril, foi organizada para angariar doações para as vítimas da enchente do Paquistão, que em agosto do ano passado deixou mais de seis milhões de pessoas desabrigadas.


Interessei-me pelo programa, devo confessar, menos pelas vítimas da enchente do Paquistão mas bem mais pela minha vontade de poder caminhar em grupo num trecho de 10,7 km que eu conheço relativamente bem.


A Marcha iniciou-se às 9:30 da manhã com uma missa na igreja católica aqui do meu vilarejo.


Igreja Católica de Santo Antônio em Oberselters
Nunca tinha entrado nessa igreja, pois ela fica fechada quando não tem missa e eu não sou pessoa que freqüenta missa, mesmo porque não sou católica.


Mas eu fui à missa assim mesmo, já que a marcha se iniciava com a missa. A marcha ia praticamente do último bairro ao norte até ao último bairro ao sul da cidade de Bad Camberg. Previstos estavam dois itinierários, sendo que o primeiro, de 5,7 km, ia em linha reta de um para outro bairro e o outro, num total de 10,7 km, fazia uma volta por um outro bairro da cidade.


Cada participante recebeu um folheto que seria carimbado nos diversos pontos de controle. Nesse folheto também se anotavam as doações que cada um havia conseguido coletar, pois a idéia era que cada participante vendesse os quilômetros que percorresse e o dinheiro dessa venda seria então a doação para os paquistaneses.


Ao final da missa cada participante recebeu o seu primeiro carimbo e lá fomos nós marchando até o próximo ponto de controle, no bairro de Erbach, 2,4 km adiante.


Esse caminho é de fato uma rota para bicicletas, asfaltado e ao longo do riacho Emsbach. Já quase chegando em Erbach, onde o caminho fica entre o riacho e as parcelas de jardins, uma cruz marca um dos acidentes seguidos de morte mais estúpidos dos quais já tive notícia:


Uma morte estúpida.
Em agosto do ano passado a menina de seis anos foi passar uma tarde na casa da avó. Atrás da casa fica esse caminho de bicicleta à beira do riacho. Uma camionete do serviço de manutenção da companhia de eletricidade saiu da rua principal, que fica a uns poucos metros desse ponto e entrou no caminho da bicicleta.


Nisso a menininha estava também passeando com sua bicicleta por ali. O motorista da camionete deve ter percebido que entrou totalmente errado (o que já deveria ter percebido bem antes, pelas minhas contas) e engatou a ré para voltar à rua principal. Não viu a menininha e passou por cima dela e da bicicleta. A notícia do jornal diz que a menina morreu na hora e o motorista da camionete entrou em estado de choque.


No posto de controle no antigo parque infantil de Erbach os participantes se separaram em dois grupos: o que ia pela linha reta e o que iria marchar os 10,7 km.


Optei pelo segundo, no qual também marchou o padre de Bad Camberg, o mesmo que rezou a missa:


O Padre Klaus Nebel no posto de controle de Erbach
Como se pode ver, um padre jovem, o que para mim é sempre um espanto nesses tempos pós-atômicos. De qualquer forma havia bem mais jovens do que best agers (amei esse anglicismo para denominar pessoas acima de 50 anos de idade)nessa rota de 10,7 km.


A maior dos 3,4 km entre o posto de controle de Erbach e o de Schwikershausen transcorre entre o riacho Dombach e uma floresta. Essa trilha possui de trecho em trecho placas explicativas sobre a fauna e flora da região.


A trilha entre o riacho e a floresta
Os últimos 200 metros até chegar ao posto de controle eram pura subida, com o que, como sempre no caso de subida, fui a última a chegar.


Mas, lá também havia farta distribuição de água, o que foi muito bem vindo.


Posto de controle em Schwickershausen com distribuição de água
A ambulância da cruz vermelha na foto integra a marcha. Ela acompanhou-nos o tempo inteiro, como é normal no caso de alguma concentração pública aqui na Alemanha.


Seguiu-se então a pior parte da marcha: 700 metros de uma íngrime subida com 90 metros de diferença de altitude. Lá se foi o grupo e eu sobrei, pois subir decididamente não faz parte de minhas virtudes.


Ocorreu aí então algo que considerei muito legal: uma mulher estava esperando por mim à beira do caminho e me disse que iria subir comigo, pois não era legal deixar ninguém para trás. Afinal, era uma marcha da solidariedade.


Ao finalmente chegarmos ao topo do morro, onde fica a Kreuzkapelle, símbolo de Bad Camberg que a gente vê de longe na autoestrada, estava todo o grupo esperando por nós. 


Kreuzkapelle com a Casa do Sacristão
Essa Capela foi construída em 1682 e chama-se Capela da Cruz por sua planta ter o formato de uma cruz. Nas férias de verão, durante uma semana as crianças de Bad Camberg fazem jogos e brincadeiras em torno da Capela. A Casa do Sacristão foi construída em 1725.


A partir daí praticamente foi só descida. Depois de mais 3,9 km chegamos finalmente ao ponto de chegada, que era o Salão Paroquial do bairro de Würges, onde nos esperava uma refeição do jejum. Estava muito curiosa para saber o que é uma refeição do jejum, já que para mim jejuar é não comer nada e assim também não pode haver uma refeição do jejum.


Por módicos 3,50 € havia nos esperando um prato de lentilhas brancas, com bastante salsicha e lingüiça e mais pão preto, que se podia comer à vontade. Uma delícia. Acho que vou sempre querer jejuar assim.


Resumo: Foram 10,7 km de marcha forçada, com uma subida de pagar todos os pecados até daqui a uns dez anos e bem poucas fotos, pois nem pensar em tirar fotografias andando a 5 km por hora. Espero que os paquistaneses possam fazer alguma coisa com os 20 € que consegui coletar para a Marcha da Solidariedade.


Andar em grupo é legal, mas andar sozinha é melhor ☺!



Solidaritaetsmarsch am 10.04.2011 auf einer größeren Karte anzeigen


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